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quarta-feira, 29 de abril de 2015

"Rastos"

 Não há momento em que não pense onde foi que errei.
 Não há momento em que não pense no famoso "e se".
 Não há momento em que não me culpabilize por algo que não fiz, mas que ao mesmo tempo fui impotente para impedir.
 Não há momento em que não olhe para trás, e recorde cada momento, cada segundo, cada milésimo de segundo na busca da menor falha, por mais ínfima que seja.
 Não há momento em que não recorde cada palavra, cada beijo, e cada abraço.
 Não há momento em que não fique com aquele sentimento de nostalgia.
 Não há momento em que não fique a olhar para trás, na esperança de ter sido um qualquer sonho, em que ainda me encontro e em que ainda ninguém me acordou.
 Não há momento em que não olhe no presente, e espere ali à minha frente te encontrar, sorrindo para mim, caminhando na minha direcção, em direcção de meus lábios.
 Não há momento em que não tente vislumbrar o futuro... No entanto, e até que alguma coisa se altere, não te encontro. Não por minha vontade, mas por um qualquer devaneio que te afastou de mim.
 Um flash roubou-te de mim, e no entanto, por mais que tente mostrar-te o caminho de volta, o caminho que dizias querer seguir a meu lado, optas por te manter num caminho isolado, e mantens-me também a mim num outro caminho, às escuras e sem o menor ponto de orientação.
 O tempo e a distância vão acabar por te mostrar que há autocarros que apenas ali passam uma vez, e mesmo que ali passe uma segunda vez, os rastos da primeira estarão sempre presentes para lembrar o que ali passou...
segunda-feira, 27 de abril de 2015

"Por dentro do livro"

 Diz-se que as pessoas são como os livros, e que apenas depois de lidos podemos dizer se realmente são bons ou não.
 Assim como com os livros, não gosto de julgar seja o que for pela capa que ostenta.
 Por vezes a mais bela das capas pode não espelhar o conteúdo, e levar-nos a adquirir algo que na realidade não queremos.
 Foste um livro que comecei a ler sem sequer olhar para a capa. Um livro que me começou por dar um prazer imenso de ler, e que a cada página me ia aliciando ainda mais.
 À medida que te ia lendo, cada vez mais me ia identificando com o que ali me mostravas.
 As pessoas começaram a questionar porque te lia com tanto interesse, porque razão me cativavas assim tanto. Olharam então para a capa, e disseram que agora compreendiam, continuei sem olhar para a capa, o que interessava estava no interior, e cada vez mais entusiasmado e cativado com o que ia lendo.
 À medida que te ia lendo, a cada página que ultrapassava, sentia que cada vez mais encontrava algo em comum, algo com que partilhar, e não qualquer linha de qualquer livro, mas deste livro em particular, que agora passaria a andar sempre comigo.
 Olhei então para a capa. Era uma capa que merecia agora  a minha atenção, pois dava corpo ao que já há algum tempo de ocupava a cabeça. Mais que um rosto, um descobrir de personalidade, um partilhar de informação e conhecimento.
 Tens sido um livro que ao longo do tempo me tem dado um prazer imenso de ler, e que acabou mesmo por me incluir no enredo, um papel importante, mas que por alguma razão que agora não vislumbro, e sem que ninguém pudesse prever, me excluiu da trama, sem aviso, e que como um murro no estômago, aqui me deixou curvado sobre mim, a tentar recuperar. Está difícil, pois o murro foi forte e mandou-me ao chão.
 Neste momento este está a ser um que me está a provocar um grande sofrimento de ler. São capítulos sombrios que me jogam para um mar de dúvidas e que me provocam fraqueza.
 Neste momento torna-se difícil olhar sequer para a capa, quanto mais de ler. Que mais informação sombria poderá este livro vir a trazer?? E será que algum dia as suas páginas voltarão a ser alegres e de luz?? Quero acreditar que sim, mas só sei que neste momento me faltam as forças para virar a página.
 Nestas páginas vi a alegria, mas neste momento apenas consigo vislumbrar a cor negra, não apenas a cor da tinta, mas também das próprias páginas.
 Entreguei-me a este livro, e o próprio livro me consumiu...

sábado, 25 de abril de 2015

"Espectro da Liberdade"

 Hoje é 25 de Abril. Dia que devolveu a liberdade ao povo Português após o regime de Salazar.
 Hoje é um dia que comemorado por todo o País, relembrar 1974.
 As pessoas deslocam-se para assistir ao tão proclamado fogo de artifício e às bandas que apreciam, ou que pelo menos possam chamar as massas.
 Após jantar em casa de amigos, certamente seria esse o destino, o fogo de artifício e concerto, Buraka Som Sistema.
 Mais uma vez, e desta feita num local apinhado, me voltei a sentir sozinho. Não que meus amigos ali me tenham abandonado, mas porque eu ali me abandonei, e ali no meio de todo aquele aparato, e toda aquela luz, houve algo mais que senti, aliás, algo a menos, a metade que falta em meu coração. A metade que suporta e e alimenta esta outra que aqui ainda permanece, a definhar a cada minuto distante de sua cara metade.
 Enquanto que o fogo de artificio vai iluminando o céu escuro, tudo à minha volta se vai tornando mais e mais distante, nada mais que meras sombras que ali vão dançando e saltando à minha volta.
 É este o estado em que me deixaste, um espectro que vai deambulando ao som do vento e do mar, sem destino e com um vazio que percorre todo o corpo num momento sem fim.
 Assim como um espectro é um ser que percorre os confins da Terra, sou eu neste dia um espectro da liberdade. Um espectro que deambula preso a ti. Um espectro que com o coração sangrando espera poder o voltar a ouvir o som de tua voz, o toque dos teus lábios nos seus, o calor de teu abraço.
 Neste dia de liberdade, sinto-me o mais preso dos seres. Preso na vontade de te voltar a ter, preso dentro de meu próprio coração numa prisão solitária, e em que apenas tu me poderás vir libertar.
 Mais uma vez, no meio da multidão voltei a desaparecer, e quando meu corpo deambulante encontraram, já há muito que a cabeça e coração ali não estavam, estão como sempre estiveram, junto a ti.
 Prometeste para sempre guardar a minha metade do coração junto à tua, assim como eu o tenho feito, no entanto, meu coração continua a sangrar, sem saber como lhe pudeste fazer isto, e o deixaste aqui a definhar. Do teu coração continuarei a cuidar, e com todas as forças por ele irei lutar, pois é ele quem me faz viver. É ele quem me faz respirar!!!
terça-feira, 21 de abril de 2015

"Em viagem"

 Faço agora o caminho que muitas vezes que fiz.
 Faço agora o caminho, com o mesmo destino de sempre, mas com um sentido de dever.
 Um sentido de dever para comigo, para contigo, para connosco. 
 Hoje o sentimento é um pouco mais angustiante, pois ao invés de todas as outras vezes, em que a cada quilómetro ultrapassado aliviava o peso no coração, desta vez ocorre o oposto. A cada quilómetro que me vou aproximando, a angústia vai aumentando, assim como o aperto no coração.
 Pode ser sofrer por antecipação. 
 Posso estar a fazer filmes.
 Enfim, há um sem fim de possibilidades, um mar delas, mas que me tentam afogar na incerteza do momento.
 Tento imaginar todos os cenários possíveis, mas não sei bem até que ponto os suportarei, pois grande parte deles irá matar-me aos poucos cá dentro, como o fino e suave dos punhais, que a cada golpe me vai fazendo sangrar.
 Sinto-me como o soldado que vai para a batalha sabendo que ali pode perder a vida, mas que é algo que tem que fazer. Esta é uma batalha que terei que travar. Uma batalha em que tudo posso ganhar e tudo posso perder. Mas ao invés de outras batalhas, nesta ou perdem os dois, ou ganham os dois.
 Foram  duas semanas de tormenta, e mais que ninguém, posso confirmar o quão dificil que foi chegar aqui, mas não se pode baixar a cabeça e tem que se lutar.
 Luto pelo que sinto e acredito, e até ao último suspiro irei encarar esta batalha, não como a última, mas como a batalha que me levou ao destino.
 Estou aqui ainda sem dormir, não que não quisesse, mas porque simplesmente não conseguia. A ansiedade assim  o mandou. 
 Estou agora cada vez mais próximo, e assim como o detector de metais, também o coração vai acelerando o seu ritmo à medida que nos vamos aproximando.
 Que esta tormenta termine o quanto antes.  
domingo, 19 de abril de 2015

"Porto vazio"

 A cidade do Porto é conhecida pelo seu calor humano. Uma cidade em que quem vem por bem, acaba por ser bem recebido. Ali não se aceita um não como resposta, chegando por vezes a roçar o tom ameaçador só pela simples recusa de algo. Se gostam, gostam, se não gostam, não gostam. Ponto.
 Sempre assim o notei e acabei por me habituar, faz parte.
 Ali fui encontrar o amor, que com o seu perfil tipicamente nortenho, logo me cativou, ou se gosta, ou não se gosta, e como sou homem de uma mulher só, sem dificuldades encarei o sentimento e abracei esta relação.
 Actualmente para mim ir ao Porto e não estar com a minha amada não faz parte do plano, é ela agora o principal motivo de ali ir, é ela a força que me atrai. A minha outra metade.
 Há uns dias atrás fui ao Porto, o dia era de invasão Alemã, portanto, a cidade ainda mais cheia, a cidade com mais vida, a cidade com mais cor. No entanto, nestes dias a cidade tornou-se cinzenta, e ainda mais do que a conhecia. A cidade tornou-se vazia, e ali no meio de um mundo, sentia-me num autêntico buraco negro, no meio de todo aquele barulho, apenas me sentia surdo para tudo o mais. No meio de toda aquela cor, sentia-me cinzento, e como que um camaleão, inseri-me nas paredes frias deste Porto vazio.
 Vazio porque no meio de toda essa multidão não a encontrei.
 Vazio porque no meio de todo aquele barulho não ouvi sua voz.
 Vazio porque no meio de todo aquele vendaval, não senti seu respirar.
 Vazio porque mesmo estando tão perto, sabia que não iria sentir o seu toque,
 Nunca tinha realmente pensado como seria estar sozinho num qualquer universo, mas pelo que senti neste Porto vazio, posso dizer que certamente não o quererei repetir.
 Neste Porto vazio espero não voltar a mergulhar, quero das cinzentas paredes sair, e em seus braços me voltar a encontrar, pois é ali que pertenço e nada mais me irá importunar
sábado, 18 de abril de 2015

"Castelo de cartas"

 Neste preciso momento encontro-me em casa. A residência.
 Embora resida num local, é onde meu coração mora que realmente resido.
 Sempre que viajo, em sua direcção, com o coração partido ao meio, e que a cada quilómetro que passa, e pressentindo o aproximar da sua outra metade, se vai manifestando. Qual efeito magnético, é um palpitar que quase o faz querer saltar-me do peito.
 Enquanto sangra de saudade, ele vai-me mostrando a cada instante que ficar afastado não é a solução, que a distância e o tempo tarde ou cedo terão de ser anuladas.
 Agora vejo-me um pouco à deriva, e embora saiba bem o que quero, os obstáculos não páram de surgir. Será um teste à minha resistência e sanidade mental?? Sinceramente não o sei.
 Dia após dia, o telemóvel não corresponde às minhas expectativas, e teimosamente faz-me permanecer nesta ansiedade.
 É uma sensação que não desejo a ninguém, e sinto-me não em casa, mas num castelo de cartas, ao qual já alguns de seus pilares foram retirados começando o inevitável desmoronamento.
 Vou lutar com todas as minhas forças para que este efeito dominó não destrua um castelo que ainda tem muito para dar e reinar.
 Não sei onde irei buscar essas forças, mas enquanto houver um sopro no meu peito, este castelo de cartas continuará a ser defendido, seja das intempéries, seja de factores externos, pois nele estão os sonhos, os projectos e as ambições que se foram construindo em nome de algo que embora não se saiba explicar o porquê, foi cimentado e projectado para a eternidade.
 
domingo, 12 de abril de 2015

"Como punhais"

Incrível como é o ser humano. Ao longo dos tempos, e da eras, foram-se criando armas. Utensílios fabricados com o intuito de magoar ou matar alguém.
Realmente, há dias em que penso assim, em que algo que está sempre ali à mão, apenas com esse objetivo: magoar.
Há algo que cumpre todos esses objetivos, e de forma mais cirúrgica, sem custos, e com a leveza de se pode levar para qualquer lugar. A palavra.
A palavra, mais que qualquer arma, tem o poder de fazer desmoronar o mais firme dos homens. Uma simples palavra.
Em conjunto, certas palavras podem criar coisas maravilhosas, assim como destrutivas. E é este o seu poder.
Hoje posso afirmar, que mais que a pior das munições, houve palavras que me feriram, e assim, como a bala alojada na carne ferida, me atiraram ao chão, me fizeram sangrar e ficar a definhar. Fui atingido sem estar a contar, e assim como um tiro à queima-roupa, a primeira reacção foi de surpresa, com aquele sorriso amarelo de incredulidade, levo as mãos ao local onde fui atingido.
E é assim, há palavras que ferem e que nos vão matando aos poucos, como que um veneno que se entranha no corpo.
E agora aqui estou eu, já meio moribundo, encostado à parede fria, e aguardando pela bala ou pelo punhal que encerrará no coração, acabando o serviço como o mais frio dos assassinos...

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