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sábado, 24 de agosto de 2013

Mentalidade

Lembro-me de ainda em miúdo chegar à escola e para além de se comentar acerca do futebol também se falavam das prestações de algumas claques.
 Para quem cresceu na Margem Sul do Tejo, poder falar das "abadas" que os Super Dragões davam sobre as suas rivais era sempre mais um motivo a poder atirar à cara daqueles que defendiam outras cores, isto a par das vitórias do mágico Porto.
 Aqui em baixo a informação era muitas vezes deturpada, sendo que a comunicação social tinha um papel preponderante. Aqui em baixo a informação que passava era que se tratavam apenas de elementos sem nada para fazer senão causar distúrbios, e confesso, eu próprio cheguei a acreditar.
 Desde que comecei a acompanhar o Mágico Porto pude ver o quão deturpada que a informação era, pois os problemas referidos não eram problemas de claques, mas problemas sociais, e uma vez dentro da claque, foi considerado como um todo.
 À parte de tudo isto, no que à curva dizia respeito, bem, nada a apontar, apoio incondicional do 1º ao último minuto, grandes "tochadas", enfim, penso que só posso lamentar apenas ter ido às Antas uma única vez, e num jogo já de festa, portanto sem aquele ambiente que me habituei a ver e ouvir.
 Logo aí, inscrevi-me nos Super Dragões, estávamos em 2003.
 Como é lógico, e ainda sem pertencer a um núcleo em particular, comecei a alinhar nos jogos da minha área, não eram muitos, mas sempre dava para estar inserido no meio da claque e restantes adeptos portistas, o que até então era quase impensável. Embora cada vez fossemos mais portistas, era quase crime dizer que se adorava o clube do dragão ao peito.
 Com o tempo o grupo foi aumentando e começámos a ter aquele pessoal certo para ir aos jogos. Entretanto formaram-se os SD Margem Sul e sempre lutando em nome do FC Porto, dos Super Dragões e da nossa área, a Margem Sul do Tejo.
 Nestes 10 anos puder ver,ouvir e viver muita coisa, histórias positivas, outras negativas, sendo que há um factor comum em todas elas: UNIÃO
 Este é um grupo que não apenas no estádio, mas também cá fora sei que posso contar com eles. Fomos criticados, somos criticados, que me importa o que possam pensar de nós, certamente que não mais ou menos portistas que eu apenas por estarem mais perto, ou por lá terem nascido(há que saber diferenciar o portista do portuense). Aqui em baixo não temos as mesmas “regalias” que os nossos irmãos do norte do país, mas não é por isso que deixaremos de dar o nosso contributo, mesmo que com maiores custos e dificuldades. Para nós nada nos cai do céu, sendo portanto tudo o que conseguimos fruto do trabalho de cada um.
 Fico espantado ao ver e ouvir tipos que acabam de chegar e falam da Velha Guarda e dos velhos costumes como se falassem do onze do Porto após cada semana. Nem eu com 10 anos disto me sinto com essa moral, mas pronto, cada um sabe de si.
 Hoje em dia fala-se muito de mentalidade, que há, que não há, mas antes de tudo isto temos de reflectir no essencial. O FC Porto é o clube da moda em Portugal, como tal, e enquanto o FC Porto se mantiver nesta senda vitoriosa a que nos habituou hão-de cada vez mais surgir os chamados “para-quedistas”.
 Critica-se muito, mas sem exemplos ninguém aprende. Temos de ser nós, os mais antigos a mostrar a estes novos elementos como podem ou não ser úteis. Se não lhes dermos o exemplo, e mostrarmos como as coisas devem ser feitas, como podemos esperar que no futuro façam igual ou melhor que nós agora?
 Neste aspecto compete não apenas ao líder  mas a cada chefe de núcleo e elementos mais antigos mostrar o caminho a seguir.
 Frases feitas há muitas, mas só poderemos ser SUPERiores se formos unidos e funcionarmos como um todo.

 O díficil não é atingir um estatuto, mas mantê-lo. 

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