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sábado, 2 de maio de 2015

"Beijo roubado, sono perdido"

 Madrugada e o sono teima em não aparecer.
 Madrugada e por mais saiba que estou fora de horas, mais me rendo nesta inércia.
 Podia estar agora a gozar o sono dos justos, mas tal não é possível. Não é possível porque não me sais da cabeça, não me sais do coração.
 Hoje e em todos os outros dias, tudo o mais que senti e sinto é estar no sítio errado. Não é aqui que pertenço, não é aqui que me sinto bem, não é aqui que quero estar. Não existe um local específico, apenas uma certeza, poder estar teu lado. Em teus braços, em teus lábios e em teu corpo.
 Não há segundo em que não pense nos "ses" que poderiam ou não ter acontecido, no que é que terei feito errado, embora saiba que nada mesmo, e no que poderia ter feito diferente.
 Sei que posso estar de consciência tranquila, pois sempre lutei e continuo a lutar de forma justa, sem pisar seja o que for ou quem for. Não caminho para a perfeição, pois esta não existe, e sei que, assim como eu tenho os meus defeitos, também tu terás os teus, não me importo com eles, pois tudo isto é a junção dos defeitos e das virtudes.
 Se me perguntassem agora como me sinto, a única resposta possível seria vazio. Vazio, porque não tens estado comigo, e isto mesmo quando estás sempre em meu pensamento. Vazio porque não estás agora, neste preciso momento em que escrevo estas palavras de amor e de dor aqui, a meu lado a sussurrar-me ao ouvido que não preciso de fazê-lo, que não preciso, pois estás aqui mesmo a meu lado, com teu rosto colado no meu. Vazio dessa forma e de todas as outras.
 O que sinto??? Bem, sinto-me exactamente como à precisamente seis meses atrás, momentos antes de te roubar dois beijos, e tudo na minha vida se mudar, para melhor, para algo que não pensei possível, mesmo com o obstáculo da distância. Sentia-me assim, apaixonado e com receio de qual seria a tua reacção, se irias retribuir ou dar-me um estalo, no mínimo. Passei dos melhores momentos a teu lado, e num de repente, tudo se desvaneceu, e quase como que uma qualquer magia negra, quase como que um tremor de terra, que agita tudo o que pode e assim como veio, também desaparece, deixando atrás de si um um rasto de destruição.
 Neste momento olho para o rasto de destruição que deixaste para trás. À primeira vista, não se consegue vislumbrar, mas se olhares com atenção, verás que ainda sangro, e assim vou perdendo todas as minhas forças, morrendo aos poucos por dentro.
 E aqui estou eu, em plena madrugada, sentado nesta cama fria e sem previsões de quando vá dormir, apenas pensando em ti e no quanto que te amo. Aquele sentimento daquele momento em que te roubei os beijos não se desvaneceu, tornou-se mais e mais forte, e mesmo com tudo o que se tem passado, ele continua aqui, em teu nome, em nome de nós dois.
 Se me perguntassem o que teria feito de diferente se pudesse voltar seis meses atrás, voltaria a fazer tudo da mesma forma, amei-te e amo-te como nunca, respeitei e respeito a mulher que amo, mesmo que de forma distante, e entreguei-me de corpo e alma. E é assim que deve ser, tens que te dar por inteiro, não pela metade.
 Espero que compreendas agora o porquê de antes não te aqui escrever muito, pois aqui deixo as minhas mágoas, e até então não as havias provocado. Agora que aqui estão expostas, e estas a ti são devidas, espero que compreendas que se não o tinha feito era porque estava bem e feliz...
 Assim como há seis meses atrás não conseguia dormir, pelos beijos que te havia roubado, agora não consigo dormir pelos beijos que não te posso dar...


2 comentários:

Amélia Ribeiro disse...

Sem palavras. Como sempre, lindo e como sangra a tua alma, e o teu coração.

Nuno Nascimento disse...

Obrigado Amélia.

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